2º hólon 'forum academia de sofia' - ecovillage community com rui vasques

Detalhes do evento

2º hólon 'forum academia de sofia' - ecovillage community com rui vasques

Horário: 7 junho 2013 de 17:00 a 20:00
Local: biblioteca do pólo dos leões - escola de artes - universidade de évora
Rua: estrada dos leões
Cidade: évora
Site ou Mapa: http://forum-academia-de-sofi…
Tipo de evento: forum, academia, de, sofia
Organizado por: Fórum Academia de Sofia
Última atividade: 5 Jun, 2013

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Descrição do evento

Eco-Village Community - Live With Earth

com Rui Vasques  (Prémio Melhor Aluno de Curso IADE 2012)

 

Abstract:  Um olhar sobre as sociedades dos dias de hoje e de que modo estas se questionam e propõem a alterar as suas estruturas; Um olhar sobre de que forma a ciência, a tecnologia e por último a consciência humana possam ser aliadas e direccionadas para o bem-estar da humanidade e do meio ambiente.Uma abordagem às catástrofes naturais e humanas do presente através do Design para um desenvolvimento sustentável no futuro.

Keywords: Design, Sustainability, Community, Ecology, Technology, Neuroscience, Society, Permaculture, Bionics, Renewable Energy, Earth, Quality of Life, Cal-Earth Institute, The Zeitgeist Movement, Tamera Community

7 de Junho 2013

17h

Biblioteca dos Leões

Escola de Artes Universidade de Évora 

Entrada Livre

 

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Comentário de Paula Soares em 30 maio 2013 às 16:27

caro marcos pais...

agradeço o contributo reflexivo e extensivo que vem abrir um saudavel debate sobre 'eco-aldeias' ou mais abrangentemente 'eco-comunidades'... 

respeito as opiniões apresentadas... contudo considero que se trata de 'um exemplo' ou de 'uma percepção de um exemplo de eco-aldeia' e não de 'eco-aldeias em geral'... para tal seria necessário viver em 'todas as eco-aldeias' tempo suficiente para adquirir uma perspectiva pan-sistémica sobre o funcionamento e enquadramento de eco-aldeias... a entidade que conheço que o fez é a GAIA EDUCATION - congrega facilitadores provenientes de múltiplas eco-aldeias e desenvolveu um programa de formação 'EDE ecovillage design education' que permite adquirir as ferramentas necessárias para a co-criação de 'eco-comunidades... por exemplo eu fiz esta formação em 'damanhur' itália, na maior eco-comunidade da europa com resultados comprovados de sucesso de construção de comunidade, bem como de desenvolvimento das comunidades envolventes... outro exemplo de referência será a 'findhorn foundation' na escócia, a mais antiga eco-comunidade da europa... também neste caso está a contribuir para o desenvolvimento sustentável daquela zona da escócia...

nestes tempos de grandes mudanças andamos todos a procurar e a experimentar novas formas de vivência em comunidade que promovam o bem-estar em sintonia com a natureza... interessante é que todos vimos de 'quadrantes' (ken wilber) diferentes rumo a algo em comum... será por isso necessário um 'espaço de transição' para largarmos os velhos paradigmas e integrarmos os novos... e isso acontece a partir dos pontos de convergência que se manifestam na 'teoria dos conjuntos' aplicada aos seres humanos...

para quem sonhe co-criar 'eco-comunidades' recomendo a frequência de um curso EDE ecovillage design education facilitado pela GAIA EDUCATION 

http://www.gaiaeducation.net/

abraços co-criadores de eco-comunidades

Comentário de Marcos Pais em 30 maio 2013 às 15:27

(continuação do comentário anterior)

ESTADO SOCIAL (SAÚDE)
De tudo o exposto, decorre que as eco-aldeias estimulam vivências à margem da sociedade. Se da economia paralela e informal decorre a precarização dos rendimentos e fundamentalmente a erosão das contribuições para o estado social, isto significa que coisas tão simples como o serviço nacional de saúde e a escola pública deixaram de existir tal qual os conhecemos. Apenas para dar um exemplo da algibeira, eu e a minha companheira tivemos uma primeira criança em casa, na comunidade, mas a segunda foi num hospital público, pois não nos foi possível encontrar uma parteira (que além disso tem um custo incomportável para muitas bolsas). No hospital público tudo correu bem, sem que tivessemos que pagar um centavo. Graças ao estado social.
ESTADO SOCIAL (EDUCAÇÃO)
No que diz respeito à educação das crianças, quando esta se processa na própria comunidade, ao abrigo da educação doméstica, ensino livre, alternativo, etc, verifica-se que a endogamia prossegue e aprofunda-se. As crianças apenas ouvem e vivenciam aquela realidade, não tendo a possibilidade que existe na escola pública de interagir com crianças de vários estratos (classes) sociais. Na escola pública, as crianças brincam umas com as outras, seja o filho do açougueiro com a filha do taxista, o filho da presidente da junta com o filho do médico cubano, a filha do imigrante de leste com o filho da professora, etc, num diálogo implícito que predispõe à interculturalidade, ao diálogo, à democracia.


Para terminar este longo comentário, penso que o exposto reflecte já bastante bem os riscos das eco-aldeias para uma sociedade plural, democrática e justa. Para que isso não aconteça, há que acautelar que aquilo que expus acima é mitigado e transformado. As eco-aldeias deverão ser locais de inclusão, em que quem nelas habita utiliza a sua visão (crítica) da sociedade para transformar as comunidades alargadas onde se movimentam. Viver numa eco-aldeia é um fim mas também um meio. Para mostrar às outras pessoas uma outra forma de vida. Mas ao mesmo tempo quem vive nas eco-aldeias deverá usar a sua força colectiva para ajudar à transformação da sociedade em geral, por exemplo participando na escola pública e contribuindo para a adopção de novas pedagogias, por exemplo exigindo do SNS um tratamento mais digno, utilização de fármacos menos agressivos para o corpo humano e para a natureza, por exemplo participando na vida pública das povoações e contribuindo para que o poder local se abra e incentive a democracia participativa.

Fica a reflexão e as dúvidas (embora pareça assertivo, são dúvidas que tenho), aguardo os comentários que vos ocorra por bem fazer.

Cumprimentos

Marcos Pais

Comentário de Marcos Pais em 30 maio 2013 às 15:22

Viva, 

gostaria de deixar aqui algumas dúvidas que me assolam quando penso nesta questão das eco-aldeias, na esperança de quem me possam ajudar a esclarecê-las.

Tenho vivido desde há quatro anos, de forma intermitente, numa comunidade intencional, que se poderá também chamar eco-aldeia. Ao mesmo tempo tenho colaborado numa iniciativa de Transição que fica a 20kms sensivelmente desta comunidade. Estas experiências fazem-me reflectir no seguinte.

1- De que forma as comunidades intencionais e as eco-aldeias podem contribuir para uma sociedade mais justa e fraterna?

A minha resposta é que para poderem dar esse contributo deverão passar a encarnar características que neste momento são secundarizadas. Claro que cada eco-aldeia é um universo em si mesmo e há muitas diferenças entre cada uma mas...

ISOLAMENTO

...parece-me uma característica muito difundida uma certa "endogamia", que é como quem diz um certo encerramento em si mesma. Há tristeza, desilusão e mesmo desconfiança, nas pessoas que compõem as eco-aldeias, em relação à sociedade em geral e como tal uma tentação concretizada de isolamento. É fácil rodearmo-nos de pessoas que confirmam as nossas ideias, em vez de nos abrirmos e recebermos críticas, por vezes cáusticas, de pessoas de "fora", e sabermos ter em conta essas críticas para crescermos enquanto indivíduos e colectivos.

ABSORÇÃO

Por outro lado, a intensidade da vida numa eco-aldeia, em particular as emoções com que se tem que lidar diariamente, absorvem grande parte das energias das (pessoas) participantes, desde reuniões frequentes até processos de resolução de conflitos extenuantes. Se já não havia grande vontade de ligação com o mundo lá de "fora", considerado feio e cinzento, com uma agenda assim preenchida, a pouca vontade restante é eliminada.

FRAGMENTAÇÃO SOCIAL com ILUSÃO DE CONECTIVIDADE MUNDIAL

Na sequência dos pontos anteriores decorre um potencial de fragmentação social, ou seja, as pessoas de cada eco-aldeia estão absorvidas no seu projecto e pouco saem do mesmo. Desconhecem o que acontece nas povoações à volta, as crianças não vão à escola pública, muitas vezes nem sequer falam a língua do país em que habitam (pelo menos em Portugal), ignoram a realidade da crise económica e social actual. A prazo isto parece-me potenciador de conflitos, pois do desconhecido nasce a repulsa e o conflito (o desconhecimento entre "autóctones" e "entrangeiros", de fora do país ou da região).

Por outro lado, os laços que existem são muitas vezes com pessoas também estrangeiras ou habitantes de outras eco-aldeias, seja da região, seja de outros locais do planeta. No primeiro caso, estes laços funcionam em geral também como trocas económicas paralelas ao sistema convencional (economia paralela). No segundo caso, estes laços só são possíveis devido ao telefone, à internet e ao avião. Se o telefone existe há muitas décadas, a internet e o avião (enquanto transporte de massas) são recentes (10, 15 anos) e assentam no sistema contra o qual as eco-aldeias se erguem, a sociedade industrializada. Assim, a maior parte da teia de relações de uma eco-aldeia arrisca-se a ser riscada do mapa no contexto de uma crise energética e social.

(continua)...

Comentário de Paula Soares em 30 maio 2013 às 14:18

olá rodrigo...! grata pelo interesse manifestado...! é possível acompanhar a síntese dos temas que são apresentados no 'fórum academia de sofia' a partir do blog:

abraço transatlântico 

http://forum-academia-de-sofia.blogspot.pt/

Comentário de Rodrigo Oliveira em 30 maio 2013 às 14:13

Sou Rodrigo Oliveira , Juiz de Fora , Mg, Brasil e gostaria de poder ao menos acessar os conteúdos e resultados  do evento . Será disponibilizado na Página da TPP? Gostaria de saber o que ocorrerá nessas 3 horas  em Évora.

Grato.

Saudações e sucesso.

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